Queria eu ter uma horta…
Mas comecemos pelo princípio. Quando transformámos o canteiro das ervas daninhas em canteiro de tomateiros, pimenteiros, alfaces e acelgas, não sabíamos bem no que nos íamos meter. Primeiro, porque comprámos uns tomateiros (cherry, mas já nos disseram que fomos enganados) e eu ainda semeei alguns que pegaram muito bem, mas sem fazer ideia que eles iam ficar, muito rapidamente, do tamanho de palmeiras. Depois, porque a coisa dá trabalho. Não só por causa dos predadores, como também pelo elevado nível de manutenção que um canteiro mini exige: é preciso regar, tirar as ervas daninhas, afastar o gato, afastar o cão, afastar o corvo (espera, é melhor não), colher as alfaces antes que espiguem, fora a ansiedade que me assola se chover torrencialmente, cair granizo, fizer muito calor antes do tempo, fizer pouco calor fora do tempo, e tudo o mais que é alheio à minha vontade e em que dantes nunca pensava.
Os tomateiros deram-nos especialmente que fazer. Foi preciso eu chamar o meu pai para a coisa entrar nos eixos. Por muito que eu puxasse dali e daqui, só conseguia partir alguns ramos e esfrangalhar-me os nervos. Com pouca capacidade de engenho, confesso, telefonei ao papá que se meteu nesse mesmo dia a caminho para construir uma estrutura que, apesar de amadora, foi a solução para as minhas preces. Parece que os tomates vão durar o verão todo, mas para o ano já sei o que tenho de fazer quando voltar a plantar tomates. Senão vejam o antes:





Entretanto, o meu sogro, que passou por ali durante a missão de resgate dos tomateiros, achou que eu podia e devia fazer o mesmo noutro canteiro (cito) cheio de flores que não servem para nada. Assim pensou, logo o fez. Em menos de nada (ainda a estrutura dos tomateiros não estava pronta) estava a chamar-me para eu ver o meu novo espaço de trabalho e foi assim fiquei com a horta 2 à disposição. E, apesar de ficar contente, isto é mais ou menos como ter um cão, para quem tem um gato: dá muito trabalho e é uma prisão. Mas a verdade é que comecei logo a pensar nas favas que vou plantar para o ano…
O corvo Rafael
E pois que agora terá mesmo de ser. Raisparta o bicho.
Hortas verticais, minhocas e permacultura
Mas uma coisa é certa: nenhum dos workshops que fiz nas mais diversas áreas caiu em saco roto. Mais recentemente a macrobiótica serviu para ir integrando na minha alimentação certos alimentos e formas de cozinhar que, de outra maneira, nem me lembrava deles. A compostagem que comecei em Janeiro está finalmente com aspecto de composto graças a todos os bichos de conta, lesmas e outras criaturas que povoam a minha caixa. Ainda assim, e apesar da colaboração do cozinheiro cá de casa que já me pergunta “queres isto para a tua caixinha?”, não sentia que a minha experiência estivesse a corresponder às minhas necessidades de evitar ao máximo deitar para o lixo material biodegradável. A caixa era pequena e estava quase cheia. Cheguei a um impasse: ou arranjava uma caixa maior ou passava para a vermicompostagem. Mas onde arranjar minhocas? Não as queria comprar. Este tipo de minhocas reproduz-se a uma velocidade incrível, por isso não me parece bem que se faça negócio com elas. É o que acontece também com o fungo do kéfir. Aquilo cresce naturalmente e as pessoas têm dar o excedente, pois é impossível dar vazão a tanto kéfir numa família padrão. Mas a maior parte das pessoas faz negócio com isto. Não entendo… Mas voltemos ao assunto.
As minhas dúvidas foram respondidas na Oficina de Hortas Verticais, organizada pelo Lugar da Terra no Zambujal, Sesimbra, a que fui ontem. A formadora deu o workshop integrado no âmbito da permacultura, logo, era natural que se falasse em reaproveitamento de resíduos e devolver à terra o que é da terra. A compostagem. Perguntou logo se alguém queria levar minhocas para casa e eu não hesitei. Trouxe 15, que é aquele número bom para daqui a três meses ter uma legião delas. Sei quem se vai passar com isto…
Foi uma oficina muito gira. Houve uma dinâmica engraçada no grupo e ficou desde logo demonstrado o interesse numa oficina de compostagem. Aprendemos sobre os 12 princípios da compostagem, falámos sobre sementes, pragas, herbicidas e fertilizantes naturais, legumes que querem sombra ou sol e, na segunda metade, fomos para a rua meter a mão na terra. Eu fiquei espantada com os conhecimentos que já tinha da coisa. Afinal, as minhas várias experiências de jardinagem na varanda de casa ou no mini-canteiro na era pré-gafanhotos serviram para alguma coisa, mesmo que a maior parte tenha tido um final infeliz. As perguntas que fiz não foram totalmente disparatadas e senti-me realmente integrada, como se estivesse no meu mundo. Até mexi nas minhocas com mãos desnudas! Trouxe-as para casa, num copo de plástico embrulhado com alumínio (super sustentável!), metia-as na sua nova casa, falei com elas (hahaha, esta parte é mentira!) e fui a correr fazer uma sopa e beber um café – elas adoram borras de café – para lhes dar de comer e garantir que não fogem enquanto lhes arranjo uma mansão à medida.
Enquanto havia luz, plantei também tudo o que havia para plantar cá em casa e transplantei o meu primeiro tomateiro que, fiquei a saber, gosta de ficar suspenso no ar. Vou ter finalmente uso a dar a latas e garrafas de plástico. Vou postando os resultados e, enquanto a natureza segue o seu curso, deixo-vos com algumas fotos da oficina.




