*a programação retomará em breve
*a programação retomará em breve
A estrutura de vermicompostagem assenta, normalmente, em três caixas dispostas umas por cima das outras, formando três andares: o de cima, onde vamos colocando a matéria-prima (aka desperdícios da cozinha, borras de café, papel, etc.) que as minhocas vão decompondo. À medida que este andar vai ficando cheio e/ou decomposto, passamos o andar número um para baixo e começamos a encher o andar que agora está em cima. Em baixo está uma caixa que recebe o chorume, que é o líquido que se forma em todo este processo. O chorume é um biofertilizante natural que podemos usar para regar as plantas.
O esquema é este:
Um vermicompostor de compra é muito caro, por isso tentei encontrar alternativas mais baratas. Comprei um daqueles sistemas de arrumação de três gavetas que há a venda por 20 € e furei o fundo das gavetas 1 e 2. Coloquei a caixa na varanda, protegida do sol e da chuva por caniço.
Teria corrido bem, não fosse a qualidade das gavetas ser péssima e não vedar bem. Devido às várias frestas entre as gavetas e a estrutura, começou a encher-se de mosquitagem. De cada vez que abria a gaveta principal, tinha de abrir caminho por entre uma nuvem de insectos voadores que começaram também logo a pôr os seus ovinhos. Era urgente encontrar outra solução. Lembrei-me que a Alexandra da oficina de Hortas Verticais tinha dito que o seu vermicompostor consistia apenas em caixas de esferovite daquelas do peixe, que há nas peixarias e no mercado. Então fomos pedir dessas caixas à peixaria da qual somos clientes e arranjaram-nos algumas, que preparei e furei, como se segue, de acordo com o esquema anterior. Não é tão elaborado como este, mas o pressuposto e o aspecto são mais ou menos os mesmos. Fiz ainda o possível para afastar o maior número de mosquitos possível, e acho que, pelo menos por enquanto, mais mosquitos não entram. Quanto às minhocas, andam de boa saúde. Trouxe quinze e já conto umas vinte. Consta que as bichas se reproduzem bastante rápido, por isso não admira.
A cabeça é a parte mais próxima daquela parte mais gorda. E não, não me faz impressão alguma mexer nelas. Não saltam, nem voam, por isso até podia andar com uma de estimação ao ombro…
Seguem-se algumas fotos do processo. Espero não estar a fazer nada mal. Mas se as minhocas têm sobrevivido até agora, com boas condições para se reproduzirem, alguma coisa devo estar a fazer bem. Além disso, já consegui usar algum composto nos meus vasos, por isso: missão cumprida!
Publicidade à parte, foram estas as caixas de esferovite que arranjei na peixaria.
Fiz vários furos no fundo de duas das caixas. É muito fácil furar o esferovite com uma chave de fendas, por exemplo.
Os furos servem para as minhocas passarem de uma caixa para a outra à procura de comida, e também para o chorume escorrer para a caixa de base, por isso devem ser da grossura de um lápis.
Parecem 4 caixas, mas a de cima serve apenas como tampa – a tampa é imprescindível para salvaguardar as minhocas de serem comidas por pássaros! Em cima, a estufa só para fazer peso. O esferovite não pesa nada e com o vento que faz aqui a tampa era bem capaz de voar e lá vinha o corvo Rafael às minhocas… A proteger o vermicompostor da chuva e do sol está caniço que comprei de propósito.
Espero que este esquema seja definitivo!
Mas uma coisa é certa: nenhum dos workshops que fiz nas mais diversas áreas caiu em saco roto. Mais recentemente a macrobiótica serviu para ir integrando na minha alimentação certos alimentos e formas de cozinhar que, de outra maneira, nem me lembrava deles. A compostagem que comecei em Janeiro está finalmente com aspecto de composto graças a todos os bichos de conta, lesmas e outras criaturas que povoam a minha caixa. Ainda assim, e apesar da colaboração do cozinheiro cá de casa que já me pergunta “queres isto para a tua caixinha?”, não sentia que a minha experiência estivesse a corresponder às minhas necessidades de evitar ao máximo deitar para o lixo material biodegradável. A caixa era pequena e estava quase cheia. Cheguei a um impasse: ou arranjava uma caixa maior ou passava para a vermicompostagem. Mas onde arranjar minhocas? Não as queria comprar. Este tipo de minhocas reproduz-se a uma velocidade incrível, por isso não me parece bem que se faça negócio com elas. É o que acontece também com o fungo do kéfir. Aquilo cresce naturalmente e as pessoas têm dar o excedente, pois é impossível dar vazão a tanto kéfir numa família padrão. Mas a maior parte das pessoas faz negócio com isto. Não entendo… Mas voltemos ao assunto.
As minhas dúvidas foram respondidas na Oficina de Hortas Verticais, organizada pelo Lugar da Terra no Zambujal, Sesimbra, a que fui ontem. A formadora deu o workshop integrado no âmbito da permacultura, logo, era natural que se falasse em reaproveitamento de resíduos e devolver à terra o que é da terra. A compostagem. Perguntou logo se alguém queria levar minhocas para casa e eu não hesitei. Trouxe 15, que é aquele número bom para daqui a três meses ter uma legião delas. Sei quem se vai passar com isto…
Foi uma oficina muito gira. Houve uma dinâmica engraçada no grupo e ficou desde logo demonstrado o interesse numa oficina de compostagem. Aprendemos sobre os 12 princípios da compostagem, falámos sobre sementes, pragas, herbicidas e fertilizantes naturais, legumes que querem sombra ou sol e, na segunda metade, fomos para a rua meter a mão na terra. Eu fiquei espantada com os conhecimentos que já tinha da coisa. Afinal, as minhas várias experiências de jardinagem na varanda de casa ou no mini-canteiro na era pré-gafanhotos serviram para alguma coisa, mesmo que a maior parte tenha tido um final infeliz. As perguntas que fiz não foram totalmente disparatadas e senti-me realmente integrada, como se estivesse no meu mundo. Até mexi nas minhocas com mãos desnudas! Trouxe-as para casa, num copo de plástico embrulhado com alumínio (super sustentável!), metia-as na sua nova casa, falei com elas (hahaha, esta parte é mentira!) e fui a correr fazer uma sopa e beber um café – elas adoram borras de café – para lhes dar de comer e garantir que não fogem enquanto lhes arranjo uma mansão à medida.
Enquanto havia luz, plantei também tudo o que havia para plantar cá em casa e transplantei o meu primeiro tomateiro que, fiquei a saber, gosta de ficar suspenso no ar. Vou ter finalmente uso a dar a latas e garrafas de plástico. Vou postando os resultados e, enquanto a natureza segue o seu curso, deixo-vos com algumas fotos da oficina.
Já há muito tempo que queria experimentar fazer compostagem. Para quem está a ouvir falar sobre isto pela primeira vez, compostagem é, basicamente, o processo de transformar resíduos orgânicos em terra, o chamado composto, através de um processo totalmente natural. Este composto pode ser utilizado como fertilizante natural para enriquecer a terra do jardim, da horta, dos vasos na varanda. Para quem tem meia dúzia de vasos, como eu, as vantagens de fazer compostagem são bastante reduzidas, visto não precisar assim tanto de renovar os meus stocks de terra. Mas a compostagem é, essencialmente, uma forma de reduzir o lixo que consumimos e que mandamos para o aterro. Mas estamos a falar de resíduos orgânicos e biodegradáveis, certo? Então, qual é o mal de os enviar para o aterro? Se são biodegradáveis, irão biodegradar-se rapidamente, certo? Errado. Reparem, os aterros estão superlotados e a separação do lixo nem sempre funciona como se pensa. No meio de metal, plástico, e outros materiais sintéticos, os resíduos orgânicos dificilmente encontram o ambiente propício para se decomporem. É claro que os benefícios reais da compostagem seriam mais visíveis se fosse feita ao nível das autarquias, se se fizesse uma recolha selectiva dos resíduos orgânicos produzidos em restaurantes e nas grandes superfícies, os quais depois seriam transportados para grandes centros de compostagem e aí transformados em nova terra para usar em jardins e espaços públicos. Oh, mundo perfeito.
No meu caso, tendo em conta a dimensão da minha caixa de compostagem, o volume de resíduos orgânicos que salvo de enviar para os aterros é mínimo. Então porque o faço, se não retiro daí nenhuma vantagem pessoal? Pela mesma razão que me leva a usar o copo menstrual ou os discos de limpeza reutilizáveis ou a não comprar mais roupa feita em condições de trabalho deploráveis: simplesmente porque me preocupo com o ambiente e quero ter uma consciência ética tranquila. Se há algo que eu própria, sem depender da boa vontade ou colaboração de ninguém, posso fazer em prol do ambiente que não me prejudique demasiado o meu dia-a-dia, não me retire muito tempo nem seja demasiado incomodativo, então eu faço.
No entanto, a compostagem não depende exclusivamente de mim, e por isso é que o processo de tomada de decisão foi mais complexo do que simplesmente decidir “a partir de hoje faço compostagem”. Além disso, exige alguma preparação. É preciso ler sobre o assunto, saber o que se pode compostar e o que não se deve deitar na caixa de compostagem, caso contrário arriscamo-nos a causar maus cheiros e a atrair ratos para o nosso quintal. A questão estética teve algum peso no meu caso, porque partilho o espaço exterior com mais três famílias e teria de pedir autorização para colocar um mamarracho destes no espaço comum, coisa que não me apeteceu fazer. Logo, teria de ser um recipiente mais pequeno e discreto, dentro do meu espaço, quer no interior (varanda), quer num canteiro que faz parte da casa e tem vários metros de solo. A compostagem no interior, mesmo sendo na varanda, coloca outra questão: a compostagem requer que o compostor esteja em contacto com o solo, caso contrário não passa de um simples caixote do lixo onde não se processa nenhuma transformação. Como no interior não é possível haver contacto com o solo, a melhor forma de fazer compostagem em casa (sem contacto com o solo) é com minhocas (vermelhas da Califórnia), a chamada Vermicompostagem. A mim isto não me causa asco nenhum, mas a ideia não foi muito bem acolhida cá em casa…
E foi assim que, um dia, encontrei um simples recipiente de plástico que tinha na garagem, o lavei, fiz furos, coloquei as primeiras camadas de material para compostar e pousei em cima do solo, num canto do canteiro exterior que faz parte da casa. E foi tão estupidamente simples que tive vontade de dar estaladas a mim própria por só ter começado agora a fazer compostagem. É claro que ainda pode correr mal. É a primeira experiência e sou capaz de ter de fazer algumas alterações à minha caixa de compostagem, como por exemplo, fazer mais furos para assegurar um bom arejamento. Mas estou muito entusiasmada com o meu novo projecto e, de acordo com as minhas pesquisas, acho que estou a fazer tudo bem.
Farei outro post com dicas práticas (razão: não tenho fotos do processo e o post já vai longo). Até lá, deixo-vos aqui alguns links de blogs e vídeos com a informação que me foi muito útil: