Devem pensar o mesmo de mim quando passam pela minha casa, que está à vista descarada de toda a gente e permite uma vista desafogada para lá do portão. E as pessoas olham, sem pudor. Já me habituei, mas preferia ter tudo fechado com umas sebes de bambu que crescem muito alto e não dão a sensação de estarmos fechados numa prisão. Mas não temos e eu vou-me acomodando ao que tenho e ao que posso ter com o dinheiro que tenho e quero gastar na casa. A julgar pelo exterior, não ostento lá grande coisa, em parte por causa da tal questão do dinheiro, em parte porque me faltam ideias e forma de as concretizar. Tirando os canteiros, não sei se dá para ter uma ideia vaga daquilo que eu sou na vida. Se calhar, também me engano quanto aos outros.
Valha-nos a imaginação.